quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Diálogo ou confronto?


A história das religiões está marcada por muitos confrontos e pouco diálogo. Desde que existem duas religiões que houve confronto entre elas. Para não ir ainda mais para trás na história, refiro-me à coexistência pouco pacífica que podemos ler no Antigo testamento entre os seguidores de Abrãao e a religião do rei. Mas isto não era o fim dos conflitos, em 33, os judeus, em nome do seu Deus, mataram Jesus Cristo. Assim nascia o cristianismo, que alguns séculos mais tarde lançaram as cruzadas, para, em nome de Deus, matarem aqueles que professavam a religião muçulmana. Mas a realidade é complexa e não foi apenas devido à religião que existiram estes conflitos, é necessário inseri-los na realidade própria do tempo em que aconteceram e recordar que na maior parte das vezes, o conflito tinha outros interesses e motivações que não os religiosos. Todas as religiões partilham uma base única em que a paz ocupa um lugar de primeiro plano. Um dos grandes conflitos aconteceu mesmo no século em que nascemos, a que chamaram holocausto, onde milhões de judeus foram mortos, pelo simples facto de o serem. Foi este acontecimento que mudou a forma de pensar e de actuar dos lideres das religiões mundiais, mas também das suas bases. Inaugurava-se uma época que se previa calma, de abertura, de paz, de diálogo, para o qual contribui de forma especial o segundo Concilio Ecuménico do Vaticano, com os documentos “Unitatis redintegratio”, “Orientalium Ecclesiarum” e até na “Lumen Gentium”. A partir do holocausto o mundo percebeu que teria de haver um entendimento que permitisse uma paz estável e até uma confiança maior nas religiões. Há necessidade das pessoas colocarem a si próprias um “imperativo inter-religioso” como a mais eficaz forma de garantir uma paz estável e duradoura a nível mundial. É certo que há novas formas de atentar contra a paz como são os grupos terroristas que professam um fundamentalismo religioso que ameaça, quiçá terão sido grupos deste tipo a fabricar as guerras que hoje lamentamos. A existência de várias religiões não impede a coexistência, sendo até salutar do ponto de vista do conhecimento da nossa própria religião decorrentes da necessidade de termos de estar sempre prontos para darmos as razões da nossa fé”. Este caminho de coexistência não pode ficar pela tolerância, mas terá de ir mais longe, aceitação. Sem nunca esquecermos a regra de ouro da convivência “fazer aos outros aquilo que gostávamos que eles nos fizessem”. Hans Kung – projecto para uma ética mundial.

2 comentários:

Anónimo disse...

Todo o homem deveria saber que o diálogo é a única via de entendimento...seria errado responder a tiros com balas de canhão...mas este diálogo tem que ser firme e confirmado na realidade física...será que seguimos os documentos do magistério? terá servido o decálogo de Assis para alguma coisa? Mais que mudar a religião é necessário reciclar a antropologia...Tiago Cardoso seminarista

Anabela disse...

Muito bem Sr. Jorge!!!
Cada vez sou mais fã deste teu blog...acho que tás no bom caminho!!!!
A paz???Será isso um ideal utópico???
penso que não...mas só será alcançavel quando cada um de nós descobrir a paz interior!
Não adianta nada dizer que a culpa é dos outros!Temos feito alguma coisa para mudar a situação???O mal não é existirem muitas religiões...até porque todas têm os mesmo principios de base, nenhuma é a favor da guerra, nenhuma defende a morte como solução!Todas defendem o respeito pelo outro, por nos proprios e pelo mundo!!!Será isso que temos feito???
Não é preciso procurar soluções milagrosas e fantasiosas para mudar o mundo...basta apenas mudar o Homem!!!!!
Meio beijinho!!!
Anabela Talhada